A Cidade do Crime é fonte das investigações de um novo detetive. Em As Ruas de Rail Port, o detetive Daniel Herrera irá descobrir inúmeros crimes e dar uma resolução para todos. Acompanhe a cada quinzena os contos nas páginas deste Blog.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O Caso do Ritual


A entrada da Catedral de Santo Antônio estava abarrotada de pessoas. Repórteres, curiosos e policiais. Localizada no coração da cidade de Rail Port, um crime fez com que Logan Springwood chamasse o detetive Daniel Herrera com urgência. Um policial esperava o rapaz e abriu caminho para que Dito pudesse entrar na Igreja e andar até os fundos da arquidiocese.
- Acredita em Deus, detetive? - perguntou o policial. Daniel fazia o sinal da cruz quando adentrou a enorme catedral.
- Sim. Desde que me conheço como pessoa me foi ensinado que a fé é confortante.
- Então prepare sua fé, porque o que verá aqui, não parece obra do Senhor.
Os dois seguiram entre o corredor, passaram a secretaria episcopal e saíram nos jardins da arquidiocese. Quando alcançaram a cúria, seguiram à direita para a garagem. Os policiais esperavam pelo detetive. Logan olhou para Daniel e o rapaz visualizou a cena do crime incrédulo. Um homem pregado numa cruz. Ambos, objeto e homem, estavam de cabeça para baixo. A vítima estavam nua e no peito letras e números. O sangue escorria pelo chão e o cheiro de carne apodrecida e urina completavam o ambiente demoníaco.
- Não se preocupe, filho. Não é uma cruz! - quem se referia ao detetive era o bispo responsável pela cúria.
- O que aconteceu aqui? Já apuraram os fatos? - questionou Dito para Logan.
- Apuramos. Venha comigo! Falaremos dentro da cúria!
"A vítima é Liceu Caranovinco, dono de três docas no bairro sul de Greencliff. As informações que conseguimos é que Caranovinco era de uma seita anti-cristã, assim como a sua esposa Tamara Caranovinco. O homem não está pregado em uma cruz, mas em uma caixa em que estava guardada a Cruz de São Rafael. Ela era feita de bronze e enfeitada com ouro e pedras de safira, e estava no alto da Catedral. Dois dias atrás, ela fora removida para ser levada até Bangor e receber restauração. Ou seja, a cruz foi roubada. Está claro que quem cometeu o crime foi alguém da seita. Estamos atrás do líder, Arthur Depree. Outro suspeito é Homer Wellington, o responsável pela empresa que fez a remoção e que faria o transporte do objeto. Ambos não foram encontrados até agora. O corpo está lá há umas cinco horas. Quem o encontrou foi o bispo da cúria, Don Evangelino Papolle. Rapidamente ligou para o departamento de polícia. Como vamos resolver este caso, Dito? Acho que será um longo tempo até acharmos o culpado!"
O caso deixara Daniel extremamente desconfortável. Quem colocaria alguém daquela forma dentro de uma catedral? Dito olhou novamente para o corpo uma última vez. "Ap 20-7".
- Sabe o que significa aquelas letras no meio do corpo? - perguntou Logan
- É um versículo. "Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto de sua prisão", algo sutil e temeroso. Trata-se da libertação de Lúcifer antes do Juízo Final. Isso nos dá uma pista de que o assassino conhecia a Bíblia. Vamos atrás de Arthur Depree.
Pela primeira vez, Logan e Daniel estariam trabalhando juntos em um caso. Dito teria muito mais acesso aos benefícios que a polícia disponibilizava. Era dez horas da noite quando chegaram à mansão de Depree. O homem era conhecido por aquilo de fazia em todo o país. Uma seita satânica forte com poucos fiéis aparentes, mas muito ricos. O lugar era estranho para Dito: preto e vermelho. Parecia que o sangue vertia das paredes e o cenário parecia de filmes de terror. Depree era alto e bem apessoado. Realmente, era carismático e bem educado. Convidou para sentar e lhes serviu copos de chá gelado.
- Então, oficiais. Posso saber o porquê de estarem aqui esta hora da noite?
Logan mostrou uma foto de Caranovinco e Depree assentiu com a cabeça, reconhecendo que o conhecia. Depois, o policial mostrou a foto da vítima nos seus últimos momentos. Arthur Depree não esboçou nenhum sinal de pânico.
- É uma pena. Liceu era um ótimo sacerdote, muito fiel.
- Sabe alguma coisa sobre a Cruz de São Rafael? - questionou Logan.
- Só o que está nos jornais. Seria levada para restauração em alguns dias.
Daniel não prestou atenção na conversa. Ficou analisando a casa e os móveis. Tudo era caro, tudo tinha símbolos: o pentagrama invertido em vidro sobre a lareira, Baphomet no quadro do corredor e o versículo achado no corpo da vítima, enquadrado, escrito em italiano, numa face de papel bem velho. O detetive ficou observando. Depree se aproximou.
- Sabia que Baphomet era o deus dos Templários? Dizem que ele pode revelar os "tesouros da vida". É crente em alguma coisa, detetive?
- Minha fé diz que esse negócio com cabeça de bode perde para uma anjo no final, senhor Depree. - Daniel respondeu com firmeza.
Depree gargalhou de forma encantadora. Logan e Dito foram embora. Os dois comentaram sobre as escritas do quadro, mas não provava nada ainda. Precisavam de mais que um pequeno versículo. Arma. Motivo.
Pelo rádio, Logan foi avisado que uma unidade estava na casa de Caranovinco e que deviam seguir para lá. A viagem durou cinco minutos. A residência era grande e também possuía alguns objetos da seita. "Baphomet de novo!", pensou Daniel. Tamara Caranovinco era uma morena linda, de olhos negros, cabelos encaracolados e alta. Ela estava com uma policial na sala conversando e sendo consolada. Logan foi até onde estava a mulher. Dito resolveu ficar olhando a casa. O detetive se detinha em reconhecer os símbolos. No seu Iphone, pesquisava para que servia cada um. Rituais, livros, deuses, demônios. Eram adoradores pagãos, mas também cidadãos. Até que parou perante um móvel que continha em sua superfície um estojo de veludo com um martelo e treze espaços vazios.
- Sra. Caranovinco, o que são estes espaços vazios?
Tamara se aproximou de Daniel. A mulher exalava um perfume forte e áspero às narinas.
- São os treze pregos do Monte Cenis.
- Item de colecionador?
- São símbolo da crucificação de Cartago.
A mulher seria capaz de matar o próprio marido? Não fazia sentido. O tamanho não serviria para muito e não eram do tamanho que se enfiaria nos punhos de um homem. Logan não conseguiu tirar nada. Saíram e foram para a delegacia.
A madrugada passava com as constatações dos dois detetives. Era um crime estranho. Ninguém batia com as provas. Os pregos não eram do tamanho dos espaços vazios do estojo, o martelo estava desaparecido, assim como a cruz e só tinham o quadro do versículo como uma pista longínqua. Era hora de procurar Homer Wellington. A polícia toda estava atrás do homem desde o início da investigação. Ele era o possível suspeito com algum rabo preso. No início da manhã, Logan chega com duas notícias.
- Uma boa e uma ruim, qual vocês quer primeiro?
- A boa!
Logan trouxera a foto do corpo de Homer Wellington em um pavilhão no bairro de Bridge I, degolado em meio aos ratos. O carro do homem havia sido encontrado nas docas de Greencliff. A notícia ruim era que o bispo Evangelino Papolle era ultra-conservador, ou seja, se fosse possível puniria com a morte os anti-cristãos. Ambos seguiram a boa notícia. Foram para o píer 27 do bairro de Ocean Docks na ilha de Greencliff.
A polícia fechou o local no início da manhã. Logan e Dito abriram os depósitos. O local só guardava duas coisas: um saco de pregos de grande comprimento e um livro preto chamado "Os Rituais Antigos" de Arthur Depree. Tudo ainda não fazia sentido. Era hora de analisar o que tinham e poder dormir um pouco. Logan fora para casa e Daniel também. O detetive levou o livro consigo para seu pequeno apartamento e apagou por seis horas. Ao longo do dia, acordou, fez um café e ficou analisando o livro. A obra de Depree trazia inúmeros rituais pagãos que explicava como ganhar poder, admiração e salvação. "Que deplorável!", pensava Daniel a cada linha que lia. Então, Logan ligou.
- Os rapazes encontraram uma pista. Liceu Caranovinco estava com uma doença terminal! A perspectiva para o seu tumor cerebral era de mais três meses. Isso ajuda um pouco?
- Pode vir a calhar com a obra linda que estou lendo.
SALVAÇÃO! Precisava achar um ritual de salvação de corpo, alma ou qualquer coisa do gênero. E encontrou.
Daniel e Logan reuniram Arthur Depree e Tamara Caranovinco, juntamente com o bispo Evangelino Papolle, na delegacia. Dito pegou o livro de Depree e leu em voz alta.
- "A Salvação da Alma para o Éden - O sangue do ladrão com a oferta da carne na morada da cruz consagrada invertida para que o corpo seja levado para o paraíso abençoado. Pelas palavras sagradas da salvação alheia e da libertação, basta o verso para que a voz do anjo clemente traga aos portões divinos o sacrifício feito".
Todos se olharam. O bispo não entendeu, Depree sorriu e Tamara ficou pálida.
"No dia em que a Cruz de São Rafael foi retirada o alto da Catedral de Santo Antônio, Homer Wellington roubou a cruz, deixando a caixa em que o objeto estivera nos fundos da cúria. Liceu tinha lido o tal ritual que dizia: 'oferta da carne na morada da cruz consagrada invertida'. Ele interpretou como sendo a caixa da cruz dentro do solo da Catedral. Com pouco tempo de vida e devido a sua crença, decidiu fazer o ritual do livro de Arthur Depree para que sua alma fosse para o Paraíso, temendo o Inferno. Pagou Homer para roubar o objeto sagrado e depois o matou, retirando o seu sangue, então teria o 'Sangue do ladrão'. Colocado na caixa e pregado, espalhou-se o sangue nos pés da cruz e foi colocado apenas a localização do versículo bíblico em seu corpo, onde se revela 'basta o verso'. Mas quem poderia fazer isso? Tamara Caranovinco era a única que concordaria em salvar o marido do jeito que fosse. Pegou o martelo da sala e comprou pregos maiores, pois os colecionáveis eram pequenos demais. Aos choros, pregou o marido na expectativa que estivesse certa. Onde está a Cruz de São Rafael? Nunca saiu do carro de Wellington que está na doca 27."
Tamara fora algemada e levada. O bispo ouviu tudo e foi embora. Logan encarou Arthur.
- Como pode mentir para essas pessoas?

- A fé é acreditar em algo que não se pode ser provado. Assim como o deus cristão, o meu deus espera o mesmo de mim.

domingo, 29 de junho de 2014

O Caso da Noiva

Daniel Herrera passeava pela Praça George Washington, em Central Districk, buscando a sua próxima cliente. O parque mostrava-se enorme desde a sua expansão em 1995. O nome se manteve o mesmo, mas os ambientes se modificaram. Sua cliente era Hillary Parker, conhecida por estar sempre bem vestida com o noivo, Adam McFeller, nas páginas sociais do jornal The Rail e na revista Maine Happens. Adam McFeller era o secretário do tesouro do estado de Maine e o casamento aconteceria em breve. O dia 30 de Junho estava inspirador para o passeio ao ar livre: sol a pino, verão, gramado verde e temperatura nos 27⁰C. Hillary Parker era de uma beleza incrível: Olhos azuis, rosto pálido e boca desenhada em batom vermelho. O cabelos em um tom de loiro prateado contrastavam com o vestido discreto preto e um chapéu arredondado que cobria sua face. Ela o esperava próximo aos pinhos do lago oeste do parque. Daniel se apresentou rapidamente depois do telefonema que recebera no início da manhã, feito por ela mesma:
- Como descobriu meus serviços?
- Um amigo meu deu a referência. Foi seu colega de trabalho há muito tempo.
Daniel já sabia de quem se tratava. No momento, não importava aquilo. A mulher contou a história e a necessidade dos serviços imediatos do detetive.
"Como se sabia, Hillary é noiva de Adam McFeller, um forte político do estado de Maine há mais de dois anos. Entretanto, dois meses atrás, a mulher reencontrou um antigo colega de faculdade que tivera um relacionamento pequeno, saíram para jantar e acabou se envolvendo além do previsto naquela noite. O homem era Willard Green, advogado de causas cíveis da cidade de Rail Port. Green possui uma vida de bons dotes: carros importados, casarão nos bairros nobres e causas que lhe rendem boa receita a cada mês. Nos dois meses que se passaram, o noivado estava para se acabar e Hillary mantinha um contato apaixonado com Willard. Os e-mails amorosos e as conversas via Facebook eram fortemente íntimos. Entretanto, certo dia Hillary 'caiu na real' e se acertou com Adam, jurando-lhe amor, mas mantendo aquele segredo. Só que o segredo havia caído em mãos erradas. A moça recebeu um malware por e-mail revelando que existia uma pessoa com todas as conversas por Facebook e querendo a quantia de US$ 500.000,00 ou então a informação pararia nas mãos de McFeller. O ponto de encontro seria no dia 1º de Julho, na bilheteria do Immigrant Stadium, às 21h. Hillary deu detalhes dos costumes que tinha Willard no tempo em que passaram juntos: foram algumas vezes no Teatro Sunrise e no Cassino do Palace Gray Hotel. As principais pessoas que viram Hillary Parker com Willard Green foi o caseiro de Willard, Mike Caparzo, a ex-namorada do rapaz, Megan Tyler, e o detetive-chefe do cassino, Laurence Cleveland."
Com as revelações feitas pela moça, Daniel tinha menos de 30 horas para achar o culpado e onde estava as conversas. O detetive começaria pela finalidade: quem poderia ter acesso à bilheteria do Immigrant Stadium às 21h? O estádio ficava próximo ao parque e com um pedido persuasivo no valor de cem dólares, conseguiu a lista dos funcionários. Não encontrou ninguém na área da bilheteria, mas muitos descendentes de italianos trabalhando na faxina e na segurança do estádio. Mike Caparzo se tornou o suspeito número um. A informação lhe deram mais tempo para investigar os outros prováveis suspeitos e já descartá-los. Então, foi atrás de Megan Tyler, na corte de Rail Port. Tentou conversar com a advogada, mas não obteve sucesso. Ficou durante cinquenta minutos jogando papo foram com a secretária da mulher:
- Ela não gosta muito de falar de seus antigos relacionamentos. - revelava a secretária já envolvida pela doce lábia de Dito. - Willard e ela brigaram feio quando se separaram. Isso foi o que ouvi. Willard Green é um pedaço de lixo. A minha chefe ficou enraivecida durante semanas.
- Sabe onde poderei encontrar ela hoje à noite?
- Bom, ela gosta de ir jogar no Cassino do Palace Gray volta e meia. Se não encontrá-la hoje, amanhã tem jogo dos Palladines no Immigrant Stadium. Ela é uma grande fã do quarterback.
Dito caíram em sua própria falta de informação. O Rail Port Palladines jogaria no dia seguinte em um amistoso de volta de férias com o Bangor Stautons, time da terceira divisão da NFL. Se Hillary disseram que jogavam no Cassino, Megan certamente viu os dois juntos em alguma noite. Daniel ligou para Hillary para buscar uma informação muito preciosa.
- Srta. Parker, aconteceu algum desentendimento entre você e Megan Tyler durante o tempo em que estava com o Sr. Green?
- Estávamos no grupe de 21 no dia 14 de Abril, quando ela chegou e me atacou. Disse que Willard era dela. Will separou a briga, mas o detetive do cassino intercedeu. Falou que teria que nos levaria até a sala da segurança para prestar alguma queixa contra a mulher e fomos. Willard conversou com o Sr. Cleveland.
- Notou algo de anormal?
- Não.
Megan estava fora de si. Agora Dito teria que correr contra o tempo, vestir seu terno e ir para o Cassino.
Passava das oito da noite quando entrara no Grand Cassino do luxuoso Palace Gray Hotel. Pegou o dinheiro guardado do último caso que havia resolvido e comprou algumas fichas. Andou de um lado para o outro tentando achar Megan Tyler, mas não adiantava. A mulher que era sua potencial suspeita estava sumida. Suas voltas foram tantas e sem destino que Laurence Cleveland, o detetive-chefe do cassino apareceu para averiguar a situação:
- Senhor? Notei uma ligeira preocupação e achei muito suspeito da sua parte estar rondando as roletas e as mesas de 21. Algum problema?
- Nenhum. - Daniel ficou frio. - Estou com um encontro marcado com uma moça, mas parece que ela não vai aparecer.
- Não é uma boa ideia manter suas fichas em mãos e ficar esse tempo todo em pé. Não gostaria de guardá-las nos nossos cofres de espera?
Cofre de espera? Que droga é essa! Os cofres de espera eram utilizados para guardar fichas do cassino e retiradas apenas a partir de uma senha de quatro dígitos. O cliente poderia apenas portar fichas e era seguido por um segurança que averiguaria se somente aquele tipo de objeto estaria lá. O cliente poderia guardá-las por algumas horas ou por dias, desde que informasse. Eram 112 cofres.
- O senhor tem um cofre?
- Claro que sim! - sorriu Laurence. - Assim como os apostadores mais assíduos.
Ao passar pela recepção, avistou um improvável personagem: Caparzo. Ele discutia com um segurança sobre a sua entrada no cassino. Disse que tinha um "esquema" para pegar com um amigo. Mas o guarda insistiu que não poderia cruzar a linha, pois estava na lista negra do cassino por dividendos.
As fichas ficaram no cofre, mas a noite não seria de descanso para o Detetive Herrera. Por mais que pudesse ser Laurence, o homem não apresentava nenhum tipo de parentesco ou ligação com Hillary ou Willard. Caparzo parecia estar ligado com Willard e o Cassino, assim como Megan, a principal suspeita. Mas quem teria acesso ao Facebook de um dos dois? Talvez Megan. Na época que eram namorados, Megan e Willard poderiam ter divididos suas senhas e nunca trocadas depois do rompimento. A mulher parecia estar na ponta da faca de Daniel. Mas não haviam certezas. Era hora de acordar Logan Springwood, no Departamento de Polícia.
Logan estava ativo aquela noite. Houve uma batida policial em uma casa com drogas. Ficar mais algum tempo acordado não lhe faria mal. Pediu os nomes e Dito o dera.
- Caparzo é limpo, sem antecedentes. Megan Tyler é mais limpa que a mármore do fórum, mas tem alguns antecedentes de transtorno bipolar, pelo que ouvi...
- Eu sabia! - Daniel comemorava o achado. Mas...
- E Cleveland, esse é mais sujo que o banheiro do parque! - sorriu Logan. - Ele tem um antecedente bem grande com jogatina. Fez a maior limpa em jogos de 21 em Atlantic City, foi condenado, mas o Grand Cassino o contratou para ficar de olho em tipos como o dele. Mesmo assim, continua jogando nos cassinos da zona oeste da ilha. Deve em torno dos seis dígitos para o Florida Bay, pelo que ouvi. Se você está procurando por alguém sujo nas fichas da polícia, esse é o cara.
Daniel murchou. Agora, era um tiro para cada lado. Megan continuava como sua principal suspeita, mas Caparzo era ligado ao estádio e Cleveland era ligado com a polícia. Ele ainda pegou o endereço da casa de Megan antes de sair da delegacia. Foi para o bairro de North Ground, onde a advogada morava e montou tocaia. Colocando salgadinhos e café para dentro do estômago, Daniel esperou até a manhã nascer. Os olhos do detetive estavam em cerrados quando a porta se abriu, assim como sua visão. Um homem grande e forte despedia-se de Megan. Seu nome: Laurence Cleveland. Ajeitava a gravata e andou pela rua até encontrar o carro estacionado. Alguma coisa revelou que Cleveland era o maior suspeito. Precisava de provas e teria que ser do jeito mais inconveniente.
Arrumou sua roupa de valet e seguiu para o Palace Gray Hotel às dez horas da manhã - faltavam onze horas -. Desceu para o estacionamento e abriu o carro de Laurence. Achou lá a chave do escritório de monitorias do cassino. Retirou sua roupa, guardando-a no seu carro e subiu até o andar do local, usando seu terno. Avistou Laurence se deliciando com o café-da-manhã no bar do hotel. "Ele comeria rápido e faria buscaria a chave o mais depressa possível", pensou Dito. O detetive atravessou o cassino e chegou aos fundos, subiu uma escadaria e chegou a sala de monitoramento, abriu-a e viu três seguranças de olho nos monitores. Tudo acabou em questão de instantes: a prerrogativa de que Dito estava na sala errada, o ataque dos seguranças e os três desmaiados no chão. Daniel precisava encontrar a pista-chave: a imagem de segurança do dia 14 de Abril. O servidor era lento. Demorou para que Daniel achasse as filmagens de Abril e transferisse o arquivo para o seu pen drive.
O detetive passou por Cleveland sem ser visto nos corredores do cassino e retirou suas fichas junto ao segurança de plantão. Quando voltou ao carro, abriu o notebook e viu as câmeras. Finalmente, tivera a certeza e a solução. Agora, era preparar a vítima para o encontro.
21h. O Immigrant Stadium fervia de pessoas a entrar para a partida. Hillary seguiu para as bilheterias vestindo uma roupa casual: jeans azul e camiseta dos Palladines - amarelo com preto -. Com ela estava uma maleta com dinheiro. O preço a pagar pelo silêncio. Um segurança reportou a ela que entrasse, dizendo que "o treinador a esperava". O encontro ficou na sala de troféus, vazia.
O grande e forte Laurence Cleveland surgiu pedindo o dinheiro, mas Hillary insistiu em ver as conversas gravadas. O homem pôs a mão no bolso, mas... sumiu!
- Quer isto aqui? - surgiu Daniel e Logan atrás de um reservado. Dito segurava um pen drive em forma de ficha de pôquer.
- Fique onde está, Cleveland. Vai passar um bom tempo na cadeia! - Logan não hesitou em apontar e ficar com os olhos fixos. Hillary se protegeu junto a Daniel.
- Como descobriu?!
" Não foi fácil! No início, tinha certeza que Megan Tyler era a chantageadora. Ela tinha uma grande raiva de Willard Green e por isso tentou agredir Hillary Parker quando a encontrou junto do ex-namorado na Grand Cassino. O que eu não esperava era saber que Laurence Cleveland estava namorando Megan, e pior, tentou chantagear a mulher que o rapaz estava junto. Um crime muito em terceira pessoa. Quando vi sua ficha, não acreditei, mas os números do débito do Florida Bay foram bem específicos: 6 dígitos. A quantia que o chantageador queria. A prova veio com a câmera de vigilância quando Cleveland leva Willard para reportar a reclamação e rouba o celular. Um ato bem de jogador de cartas. Depois de ver as conversas, passa para um pen drive em forma de ficha e coloca dentro dos cofres. Ninguém suspeitaria, a não ser eu! Quando me levou aos cofres, memorizei sua senha, e quando voltei lá esta manhã abri o seu cofre que guarda uma única ficha. Sabia, então, que você era o culpado. Disse que era o cofre errado e fui esvaziar o meu."

- Enquanto esperava aqui, você colocou seu casaco junto ao troféu de cima. Peguei o pen drive. Assim como você, foi um ato de jogador de cartas! - acabou Daniel.

sábado, 14 de junho de 2014

O Caso da Herança Política

Sheldock Building, 215. apartamento 608. Um prédio antigo no bairro de Torino Station guardava os aposentos de Daniel Herrera. Com uma boa reputação como detetive, retirava seu novo distintivo da gaveta e colocava no bolso. Agora tinha essa função oficialmente: estava apto a investigar crimes de forma particular. Sua fama estava começando a se alargar na cidade. Na manhã fria de 14 de Junho, Daniel arrumava seu apartamento, que também lhe servia como recepção aos clientes, para não deixar má impressão aos que passassem por ali. Mal sabia ele que seu primeiro caso oficial seria um dos mais importantes de se resolver. Logo que terminara de passar o café, o ruído da campainha levou-o até a porta. Na sua frente, ninguém menos que Edmund Carter, vereador da cidade de Rail Port, estava escoltado por dois seguranças e entrou sem pedir licença. Daniel ficara perplexo com o nervosismo do homem e pediu para que se sentasse.

- Tenho um caso que precisa da sua atenção imediatamente! - disse Carter.

Daniel puxou a caderneta em cima da mesa e ouviu a história do vereador Carter.

"Mark Welm, o líder dos vereadores, fora morto acidentalmente, como o The Rail já informara há uma semana. Mas não era apenas isso. O seu advogado pessoal, William Digham, acabara de ser assassinado com um tiro na cabeça dentro de sua casa. Segundo a polícia, o cofre contendo materiais importantes também fora roubado. Na noite antes de morrer, Digham recebera importantes figuras de Rail Port em sua casa para um jantar: o capitão Samuel Mercer e o assessor público Ryan Sawn, assim como a sua própria assistente Jill Hawking. Com suas maiores preocupações, Carter ainda veio em caráter de sigilo para que Daniel procure o assassino, já que a herança de Welm estava na posse de Digham dentro do cofre e a disputa pelos pertences do ex-vereador eram grandes. Welm não tinha filhos. Então, Carl Welm e Mel Welm, irmãos do vereador, entraram em disputa pelas terras do moribundo existentes no estado de Ohio e sua pequena fortuna adquirida em Rail Port."

Edmund Carter pediu para Daniel Herrera investigar o caso que chocara a cidade e saiu do apartamento. O detetive demoraria alguns dias para resolver a situação. Saiu de casa com o seu Chevy Impala LS em direção ao bairro de Bluebird, na Ilha de Greencliff, onde ficava a casa de William Digham. Sabia que encontraria alguma coisa na cena do crime. Fechada e sem ninguém, a casa era bonita e bem decorada. Apenas um policial mantinha vigiada a casa e acompanhou Daniel até o cômodo em que Digham estivera morto até ser encontrado às seis da manhã pela empregada. O rapaz olhou os móveis e o cofre com muito cuidado.

- É você quem chamam de Dito? - perguntou o policial
- Eu mesmo. Por que quer saber?
- Me disseram que resolve qualquer tipo de caso. Esse me parece bem difícil!
- Por que diz isso, policial? - o tom de voz do policial o tirou do sério.
- Bom, pelo que eu ouvi da investigação, o serviço foi de um profissional. Esse cofre é um Security Box 3000, à prova de roubo. Só é possível abrir com digitais e o corpo não foi usado para abrí-lo.
- Como sabe disso?
- Não há rastros de sangue no chão que deixassem marcas de que ele tivesse sido carregado até o cofre e nenhum dedo falta na mão dele.
- A não ser que o próprio Digham tivesse aberto o cofre para alguém.

O policial não tinha pensado no fato. Entre os três que estiveram no jantar, a mais próxima era Jill Hawking, sua assistente. Antes do fim, Daniel voltaria para a cena do crime. Era hora de visitar o seu amigo das "lendas" da cidade, Herman Kerr, o Chaveiro. Herman mantinha uma pequena loja no bairro de Lincoln Park, Ilha de Stamford Iron. A conversa não seria muito longa, mas a travessia sim. Marcando o encontro pelo celular, Herman foi fazer a sua pesquisa com o pessoal mais criminoso da cidade. Ao chegar, Daniel encontrou o amigo bebendo no Bar De Los Chicos, ao lado de sua loja.

- Herman, você precisa parar de beber! O que tem para mim?
- Conheci um cabo da Marinha chamado Jones. Ele me contou que o tal capitão Samuel Mercer andava de 
papo com o irmão mais novo do vereador, Mel Welm. Se encontraram umas três vezes nas docas de Greencliff e ficaram falando sobre a morte do irmão. Mercer era um cara treinado pelas forças especiais e também havia sido espião no Iraque. Dizem que entendia muito de eletrônica e conseguiu vários documentos importantes para os seus superiores.

A notícia de Herman voltava a embaralhar as cartas de Daniel. Mercer então era capaz de abrir um cofre sofisticado. Assim, poderia ter matado Digham e roubado o conteúdo. Consequentemente, o mandante era Mel Welm que ansiava pelo que existia no cofre. Aquela noite acabara com chuva, mas a nova manhã iniciara com sol. Uma ligação viera pelas nove horas da manhã. Era Edmund Carter e a conversa foi rápida.

- Investigamos um pouco do passado de Mark Welm. Demorou algum tempo, mas parecia que o homem tinha um filho ou uma filha. Nasceu em 1992, entretanto não foi registrada como um Welm. Mark ainda morava em Ohio e seu descendente ficara por lá. Conseguimos isto depois de termos acesso às ligações do gabinete de Mark. Muitas estavam sendo feitas para o estado e, de lá, conseguimos a informação.

A notícia coincidia com o motivo. Quem quer que fosse, queria a herança: ou era Mel ou Carl por trás do crime. Primeiramente, Mel estava ganhando e caso de Jill estava afundando. Estava na hora de ir falar com um dos Welm. Daniel decidiu ir atrás de Carl, já que poderia ser menos agressivo. Carl Welm era executivo financeiro no Empire Trade Center, no bairro de Idaho, vizinho ao bairro onde Daniel vivia. Esperando mais de 45 minutos, finalmente Dito fora chamado para conversar com Carl. O homem era arrogante e muito reservado.

- Soube do seu irmão. - começou Daniel - Foi uma triste perda. Mas fiquei mais intrigado com a morte de Digham.
- William era um bom advogado e mantinha assuntos pendentes com o meu irmão, que Deus o tenha. Entretanto, por algum motivo ficou quase uma semana sem revelar o testamento do meu irmão. E agora, ele também se fora.
- Então seu irmão tinha um testamento? - sorriu Dito.
- Claro! Todos os Welm têm um testamento. Somos de uma família rica e não podemos nos dar ao luxo de deixar tudo por aí sem herdeiros. Nosso patrimônio deve ser mantido.

A conversa foi baixando de tom e entraram no assunto dos testamentos. Carl revelou que não deixava nada para nenhum dos irmãos, mas tudo para os dois filhos e a esposa. Também ficava surpreso pelo seu irmão morto não ter tido uma mulher.
- Ele era muito mulherengo e...

Na hora em que terminava a frase, Ryan Sawn abriu a porta. Daniel se ergueu e o cumprimentou sem levantar suspeitas. Carl olhou atentamente para Daniel que estendeu a mão para cumprimentar Sawn. Ryan deixou alguns esboços das propagandas da nova campanha de eleição de James Sang, amigo de Carl e vereador que contratara os serviços de Digham há alguns meses. Daniel ficou mais alguns minutos e foi embora. Tudo havia se enrolado. Carl conhecia Sawn e Mel conhecia Mercer.

Daniel foi até o Bank of State, na agência de Central Districk, onde conhecia Dick Malbrank, o gerente financeiro. Quando abriu uma parte do caso, Malbrank disse que sobre Mercer e Sawn não haviam muitas transações, mas a conta de Jill Hawking era muito elevada para a vida humilde que a garota levava. Um extrato dado para Daniel revelou grande quantia de dinheiro recebida na última semana. Se um dos irmãos estivesse contratando Jill para dar um sumiço em Digham poderia ter dado certo.

O dia foi finalizado com uma passada no Departamento de Polícia. Logan Springwood abriu as portas do seu escritório para uma conversa com Dito. Era o único que tinha informações de tudo que acontecia dentro do departamento.

- Encontramos a arma do crime no escritório de Digham. - salientou Logan. - Mas a arma é fria. Um revólver sem identificação. A balística informou que a pessoa não sabia usar uma arma muito bem, mas se preveniu em colocar uma luva de borracha.
- Como chegaram a esta conclusão?
- Encontraram fragmentos poli-isopreno na coronha da arma. A substância é encontrada em qualquer material de borracha. E a orientação da bala na cabeça de Digham estava muito mal colocada. A pessoa sabia mirar e apertar o gatilho, mas certamente deixou a arma cair no primeiro tiro.

Mais dois dias se decorreram sem mais pistas. Daniel estava perdendo as esperanças e Edmund não conseguia mais conter a curiosidade da mídia até que Herman ligou e deu a pista-chave. A arma tivera sido negociada perto das docas de Greencliff poucos dias antes do crime. Daniel foi até as docas e tirou a verdade de Kyle Dawnson. Ao final da tarde, Daniel se reuniu com Logan, Edmund e o detetive encarregado do caso, David Lewis, na cena do crime.
Todos se reuniram no escritório de Digham e Daniel se pôs a revelar a verdade.


"Foi um crime entre irmãos. Mel e Carl Welm sabiam que mais cedo ou mais tarde ficariam com a herança do irmão Mark. A morte foi um acidente como fora provado pela polícia. Entretanto, havia muito mais em jogo. Mel Welm se encontrou três vezes com o Capitão Samuel Mercer para tentar convencê-lo a se aproximar de William Digham e arrancar o nome da pessoa que estava no testamento do irmão. Do outro lado, Carl Welm encontrou-se com Ryan Sawn, assessor público que trabalhava na câmara junto com Mark e Digham. Ryan interceptou inúmeras ligações para Ohio onde uma mulher falava com Mark tempos atrás, enquanto Mercer deixou escapar que Mark tinha uma filha. A mulher com quem Mark falava era Robin Hawking e mãe de Jill Hawking, que nada mais era que filha de Mark, a herdeira do político. Os altos depósitos da conta de Jill eram dadas pelo pai, mas a garota não usufruía de todo aquele dinheiro. Digham a manteve próxima para que estivesse sempre de olho, protegendo-a. No dia antes do jantar, Mercer e Mel não se encontraram, mas Ryan Sawn foi até as docas de Greencliff comprar uma arma. Sabia que o local incriminaria o Capitão das marinas. Carl dera-lhe um dinheiro frio para adquirir uma arma. Na noite do jantar, Digham ficara até mais tarde com Sawn, discutindo as propostas do novo cliente, James Sang, quando Digham abriu o cofre para pegar as pastas com os documentos de Sang e Sawn atirou na cabeça do advogado. Sawn já usava luvas de lã revestidas de borracha por fora, sacou a arma e deixou-a cair depois do tiro. Ele pegou o testamento e outros papéis para não levantar suspeita e foi embora. Depois, levou o testamento para Carl Welm. Aposto que dentro do cofre de Carl está o testamento do irmão que prova que Jill Hawking herdaria o dinheiro do pai".