A Cidade do Crime é fonte das investigações de um novo detetive. Em As Ruas de Rail Port, o detetive Daniel Herrera irá descobrir inúmeros crimes e dar uma resolução para todos. Acompanhe a cada quinzena os contos nas páginas deste Blog.

sábado, 14 de junho de 2014

O Caso da Herança Política

Sheldock Building, 215. apartamento 608. Um prédio antigo no bairro de Torino Station guardava os aposentos de Daniel Herrera. Com uma boa reputação como detetive, retirava seu novo distintivo da gaveta e colocava no bolso. Agora tinha essa função oficialmente: estava apto a investigar crimes de forma particular. Sua fama estava começando a se alargar na cidade. Na manhã fria de 14 de Junho, Daniel arrumava seu apartamento, que também lhe servia como recepção aos clientes, para não deixar má impressão aos que passassem por ali. Mal sabia ele que seu primeiro caso oficial seria um dos mais importantes de se resolver. Logo que terminara de passar o café, o ruído da campainha levou-o até a porta. Na sua frente, ninguém menos que Edmund Carter, vereador da cidade de Rail Port, estava escoltado por dois seguranças e entrou sem pedir licença. Daniel ficara perplexo com o nervosismo do homem e pediu para que se sentasse.

- Tenho um caso que precisa da sua atenção imediatamente! - disse Carter.

Daniel puxou a caderneta em cima da mesa e ouviu a história do vereador Carter.

"Mark Welm, o líder dos vereadores, fora morto acidentalmente, como o The Rail já informara há uma semana. Mas não era apenas isso. O seu advogado pessoal, William Digham, acabara de ser assassinado com um tiro na cabeça dentro de sua casa. Segundo a polícia, o cofre contendo materiais importantes também fora roubado. Na noite antes de morrer, Digham recebera importantes figuras de Rail Port em sua casa para um jantar: o capitão Samuel Mercer e o assessor público Ryan Sawn, assim como a sua própria assistente Jill Hawking. Com suas maiores preocupações, Carter ainda veio em caráter de sigilo para que Daniel procure o assassino, já que a herança de Welm estava na posse de Digham dentro do cofre e a disputa pelos pertences do ex-vereador eram grandes. Welm não tinha filhos. Então, Carl Welm e Mel Welm, irmãos do vereador, entraram em disputa pelas terras do moribundo existentes no estado de Ohio e sua pequena fortuna adquirida em Rail Port."

Edmund Carter pediu para Daniel Herrera investigar o caso que chocara a cidade e saiu do apartamento. O detetive demoraria alguns dias para resolver a situação. Saiu de casa com o seu Chevy Impala LS em direção ao bairro de Bluebird, na Ilha de Greencliff, onde ficava a casa de William Digham. Sabia que encontraria alguma coisa na cena do crime. Fechada e sem ninguém, a casa era bonita e bem decorada. Apenas um policial mantinha vigiada a casa e acompanhou Daniel até o cômodo em que Digham estivera morto até ser encontrado às seis da manhã pela empregada. O rapaz olhou os móveis e o cofre com muito cuidado.

- É você quem chamam de Dito? - perguntou o policial
- Eu mesmo. Por que quer saber?
- Me disseram que resolve qualquer tipo de caso. Esse me parece bem difícil!
- Por que diz isso, policial? - o tom de voz do policial o tirou do sério.
- Bom, pelo que eu ouvi da investigação, o serviço foi de um profissional. Esse cofre é um Security Box 3000, à prova de roubo. Só é possível abrir com digitais e o corpo não foi usado para abrí-lo.
- Como sabe disso?
- Não há rastros de sangue no chão que deixassem marcas de que ele tivesse sido carregado até o cofre e nenhum dedo falta na mão dele.
- A não ser que o próprio Digham tivesse aberto o cofre para alguém.

O policial não tinha pensado no fato. Entre os três que estiveram no jantar, a mais próxima era Jill Hawking, sua assistente. Antes do fim, Daniel voltaria para a cena do crime. Era hora de visitar o seu amigo das "lendas" da cidade, Herman Kerr, o Chaveiro. Herman mantinha uma pequena loja no bairro de Lincoln Park, Ilha de Stamford Iron. A conversa não seria muito longa, mas a travessia sim. Marcando o encontro pelo celular, Herman foi fazer a sua pesquisa com o pessoal mais criminoso da cidade. Ao chegar, Daniel encontrou o amigo bebendo no Bar De Los Chicos, ao lado de sua loja.

- Herman, você precisa parar de beber! O que tem para mim?
- Conheci um cabo da Marinha chamado Jones. Ele me contou que o tal capitão Samuel Mercer andava de 
papo com o irmão mais novo do vereador, Mel Welm. Se encontraram umas três vezes nas docas de Greencliff e ficaram falando sobre a morte do irmão. Mercer era um cara treinado pelas forças especiais e também havia sido espião no Iraque. Dizem que entendia muito de eletrônica e conseguiu vários documentos importantes para os seus superiores.

A notícia de Herman voltava a embaralhar as cartas de Daniel. Mercer então era capaz de abrir um cofre sofisticado. Assim, poderia ter matado Digham e roubado o conteúdo. Consequentemente, o mandante era Mel Welm que ansiava pelo que existia no cofre. Aquela noite acabara com chuva, mas a nova manhã iniciara com sol. Uma ligação viera pelas nove horas da manhã. Era Edmund Carter e a conversa foi rápida.

- Investigamos um pouco do passado de Mark Welm. Demorou algum tempo, mas parecia que o homem tinha um filho ou uma filha. Nasceu em 1992, entretanto não foi registrada como um Welm. Mark ainda morava em Ohio e seu descendente ficara por lá. Conseguimos isto depois de termos acesso às ligações do gabinete de Mark. Muitas estavam sendo feitas para o estado e, de lá, conseguimos a informação.

A notícia coincidia com o motivo. Quem quer que fosse, queria a herança: ou era Mel ou Carl por trás do crime. Primeiramente, Mel estava ganhando e caso de Jill estava afundando. Estava na hora de ir falar com um dos Welm. Daniel decidiu ir atrás de Carl, já que poderia ser menos agressivo. Carl Welm era executivo financeiro no Empire Trade Center, no bairro de Idaho, vizinho ao bairro onde Daniel vivia. Esperando mais de 45 minutos, finalmente Dito fora chamado para conversar com Carl. O homem era arrogante e muito reservado.

- Soube do seu irmão. - começou Daniel - Foi uma triste perda. Mas fiquei mais intrigado com a morte de Digham.
- William era um bom advogado e mantinha assuntos pendentes com o meu irmão, que Deus o tenha. Entretanto, por algum motivo ficou quase uma semana sem revelar o testamento do meu irmão. E agora, ele também se fora.
- Então seu irmão tinha um testamento? - sorriu Dito.
- Claro! Todos os Welm têm um testamento. Somos de uma família rica e não podemos nos dar ao luxo de deixar tudo por aí sem herdeiros. Nosso patrimônio deve ser mantido.

A conversa foi baixando de tom e entraram no assunto dos testamentos. Carl revelou que não deixava nada para nenhum dos irmãos, mas tudo para os dois filhos e a esposa. Também ficava surpreso pelo seu irmão morto não ter tido uma mulher.
- Ele era muito mulherengo e...

Na hora em que terminava a frase, Ryan Sawn abriu a porta. Daniel se ergueu e o cumprimentou sem levantar suspeitas. Carl olhou atentamente para Daniel que estendeu a mão para cumprimentar Sawn. Ryan deixou alguns esboços das propagandas da nova campanha de eleição de James Sang, amigo de Carl e vereador que contratara os serviços de Digham há alguns meses. Daniel ficou mais alguns minutos e foi embora. Tudo havia se enrolado. Carl conhecia Sawn e Mel conhecia Mercer.

Daniel foi até o Bank of State, na agência de Central Districk, onde conhecia Dick Malbrank, o gerente financeiro. Quando abriu uma parte do caso, Malbrank disse que sobre Mercer e Sawn não haviam muitas transações, mas a conta de Jill Hawking era muito elevada para a vida humilde que a garota levava. Um extrato dado para Daniel revelou grande quantia de dinheiro recebida na última semana. Se um dos irmãos estivesse contratando Jill para dar um sumiço em Digham poderia ter dado certo.

O dia foi finalizado com uma passada no Departamento de Polícia. Logan Springwood abriu as portas do seu escritório para uma conversa com Dito. Era o único que tinha informações de tudo que acontecia dentro do departamento.

- Encontramos a arma do crime no escritório de Digham. - salientou Logan. - Mas a arma é fria. Um revólver sem identificação. A balística informou que a pessoa não sabia usar uma arma muito bem, mas se preveniu em colocar uma luva de borracha.
- Como chegaram a esta conclusão?
- Encontraram fragmentos poli-isopreno na coronha da arma. A substância é encontrada em qualquer material de borracha. E a orientação da bala na cabeça de Digham estava muito mal colocada. A pessoa sabia mirar e apertar o gatilho, mas certamente deixou a arma cair no primeiro tiro.

Mais dois dias se decorreram sem mais pistas. Daniel estava perdendo as esperanças e Edmund não conseguia mais conter a curiosidade da mídia até que Herman ligou e deu a pista-chave. A arma tivera sido negociada perto das docas de Greencliff poucos dias antes do crime. Daniel foi até as docas e tirou a verdade de Kyle Dawnson. Ao final da tarde, Daniel se reuniu com Logan, Edmund e o detetive encarregado do caso, David Lewis, na cena do crime.
Todos se reuniram no escritório de Digham e Daniel se pôs a revelar a verdade.


"Foi um crime entre irmãos. Mel e Carl Welm sabiam que mais cedo ou mais tarde ficariam com a herança do irmão Mark. A morte foi um acidente como fora provado pela polícia. Entretanto, havia muito mais em jogo. Mel Welm se encontrou três vezes com o Capitão Samuel Mercer para tentar convencê-lo a se aproximar de William Digham e arrancar o nome da pessoa que estava no testamento do irmão. Do outro lado, Carl Welm encontrou-se com Ryan Sawn, assessor público que trabalhava na câmara junto com Mark e Digham. Ryan interceptou inúmeras ligações para Ohio onde uma mulher falava com Mark tempos atrás, enquanto Mercer deixou escapar que Mark tinha uma filha. A mulher com quem Mark falava era Robin Hawking e mãe de Jill Hawking, que nada mais era que filha de Mark, a herdeira do político. Os altos depósitos da conta de Jill eram dadas pelo pai, mas a garota não usufruía de todo aquele dinheiro. Digham a manteve próxima para que estivesse sempre de olho, protegendo-a. No dia antes do jantar, Mercer e Mel não se encontraram, mas Ryan Sawn foi até as docas de Greencliff comprar uma arma. Sabia que o local incriminaria o Capitão das marinas. Carl dera-lhe um dinheiro frio para adquirir uma arma. Na noite do jantar, Digham ficara até mais tarde com Sawn, discutindo as propostas do novo cliente, James Sang, quando Digham abriu o cofre para pegar as pastas com os documentos de Sang e Sawn atirou na cabeça do advogado. Sawn já usava luvas de lã revestidas de borracha por fora, sacou a arma e deixou-a cair depois do tiro. Ele pegou o testamento e outros papéis para não levantar suspeita e foi embora. Depois, levou o testamento para Carl Welm. Aposto que dentro do cofre de Carl está o testamento do irmão que prova que Jill Hawking herdaria o dinheiro do pai".

Nenhum comentário:

Postar um comentário