Sheldock Building, 215. apartamento 608. Um prédio antigo no
bairro de Torino Station guardava os aposentos de Daniel Herrera. Com uma boa
reputação como detetive, retirava seu novo distintivo da gaveta e colocava no
bolso. Agora tinha essa função oficialmente: estava apto a investigar crimes de
forma particular. Sua fama estava começando a se alargar na cidade. Na manhã
fria de 14 de Junho, Daniel arrumava seu apartamento, que também lhe servia
como recepção aos clientes, para não deixar má impressão aos que passassem por
ali. Mal sabia ele que seu primeiro caso oficial seria um dos mais importantes
de se resolver. Logo que terminara de passar o café, o ruído da campainha
levou-o até a porta. Na sua frente, ninguém menos que Edmund Carter, vereador
da cidade de Rail Port, estava escoltado por dois seguranças e entrou sem pedir
licença. Daniel ficara perplexo com o nervosismo do homem e pediu para que se
sentasse.
- Tenho um caso que precisa da sua atenção imediatamente! -
disse Carter.
Daniel puxou a caderneta em cima da mesa e ouviu a história
do vereador Carter.
"Mark Welm, o líder dos vereadores, fora morto
acidentalmente, como o The Rail já informara há uma semana. Mas não era apenas
isso. O seu advogado pessoal, William Digham, acabara de ser assassinado com um
tiro na cabeça dentro de sua casa. Segundo a polícia, o cofre contendo
materiais importantes também fora roubado. Na noite antes de morrer, Digham
recebera importantes figuras de Rail Port em sua casa para um jantar: o capitão
Samuel Mercer e o assessor público Ryan Sawn, assim como a sua própria
assistente Jill Hawking. Com suas maiores preocupações, Carter ainda veio em
caráter de sigilo para que Daniel procure o assassino, já que a herança de Welm
estava na posse de Digham dentro do cofre e a disputa pelos pertences do
ex-vereador eram grandes. Welm não tinha filhos. Então, Carl Welm e Mel Welm,
irmãos do vereador, entraram em disputa pelas terras do moribundo existentes no
estado de Ohio e sua pequena fortuna adquirida em Rail Port."
Edmund Carter pediu para Daniel Herrera investigar o caso
que chocara a cidade e saiu do apartamento. O detetive demoraria alguns dias
para resolver a situação. Saiu de casa com o seu Chevy Impala LS em direção ao bairro de Bluebird, na Ilha de
Greencliff, onde ficava a casa de William Digham. Sabia que encontraria alguma
coisa na cena do crime. Fechada e sem ninguém, a casa era bonita e bem
decorada. Apenas um policial mantinha vigiada a casa e acompanhou Daniel até o
cômodo em que Digham estivera morto até ser encontrado às seis da manhã pela
empregada. O rapaz olhou os móveis e o cofre com muito cuidado.
- É você quem chamam de Dito? - perguntou o policial
- Eu mesmo. Por que quer saber?
- Me disseram que resolve qualquer tipo de caso. Esse me
parece bem difícil!
- Por que diz isso, policial? - o tom de voz do policial o
tirou do sério.
- Bom, pelo que eu ouvi da investigação, o serviço foi de um
profissional. Esse cofre é um Security Box 3000, à prova de roubo. Só é
possível abrir com digitais e o corpo não foi usado para abrí-lo.
- Como sabe disso?
- Não há rastros de sangue no chão que deixassem marcas de
que ele tivesse sido carregado até o cofre e nenhum dedo falta na mão dele.
- A não ser que o próprio Digham tivesse aberto o cofre para
alguém.
O policial não tinha pensado no fato. Entre os três que
estiveram no jantar, a mais próxima era Jill Hawking, sua assistente. Antes do
fim, Daniel voltaria para a cena do crime. Era hora de visitar o seu amigo das
"lendas" da cidade, Herman Kerr, o Chaveiro. Herman mantinha uma
pequena loja no bairro de Lincoln Park, Ilha de Stamford Iron. A conversa não
seria muito longa, mas a travessia sim. Marcando o encontro pelo celular,
Herman foi fazer a sua pesquisa com o pessoal mais criminoso da cidade. Ao
chegar, Daniel encontrou o amigo bebendo no Bar De Los Chicos, ao lado de sua
loja.
- Herman, você precisa parar de beber! O que tem para mim?
- Conheci um cabo da Marinha chamado Jones. Ele me contou
que o tal capitão Samuel Mercer andava de
papo com o irmão mais novo do
vereador, Mel Welm. Se encontraram umas três vezes nas docas de Greencliff e
ficaram falando sobre a morte do irmão. Mercer era um cara treinado pelas
forças especiais e também havia sido espião no Iraque. Dizem que entendia muito
de eletrônica e conseguiu vários documentos importantes para os seus
superiores.
A notícia de Herman voltava a embaralhar as cartas de
Daniel. Mercer então era capaz de abrir um cofre sofisticado. Assim, poderia
ter matado Digham e roubado o conteúdo. Consequentemente, o mandante era Mel
Welm que ansiava pelo que existia no cofre. Aquela noite acabara com chuva, mas
a nova manhã iniciara com sol. Uma ligação viera pelas nove horas da manhã. Era
Edmund Carter e a conversa foi rápida.
- Investigamos um pouco do passado de Mark Welm. Demorou
algum tempo, mas parecia que o homem tinha um filho ou uma filha. Nasceu em
1992, entretanto não foi registrada como um Welm. Mark ainda morava em Ohio e
seu descendente ficara por lá. Conseguimos isto depois de termos acesso às
ligações do gabinete de Mark. Muitas estavam sendo feitas para o estado e, de
lá, conseguimos a informação.
A notícia coincidia com o motivo. Quem quer que fosse,
queria a herança: ou era Mel ou Carl por trás do crime. Primeiramente, Mel
estava ganhando e caso de Jill estava afundando. Estava na hora de ir falar com
um dos Welm. Daniel decidiu ir atrás de Carl, já que poderia ser menos agressivo.
Carl Welm era executivo financeiro no Empire Trade Center, no bairro de Idaho,
vizinho ao bairro onde Daniel vivia. Esperando mais de 45 minutos, finalmente
Dito fora chamado para conversar com Carl. O homem era arrogante e muito
reservado.
- Soube do seu irmão. - começou Daniel - Foi uma triste
perda. Mas fiquei mais intrigado com a morte de Digham.
- William era um bom advogado e mantinha assuntos pendentes
com o meu irmão, que Deus o tenha. Entretanto, por algum motivo ficou quase uma
semana sem revelar o testamento do meu irmão. E agora, ele também se fora.
- Então seu irmão tinha um testamento? - sorriu Dito.
- Claro! Todos os Welm têm um testamento. Somos de uma
família rica e não podemos nos dar ao luxo de deixar tudo por aí sem herdeiros.
Nosso patrimônio deve ser mantido.
A conversa foi baixando de tom e entraram no assunto dos
testamentos. Carl revelou que não deixava nada para nenhum dos irmãos, mas tudo
para os dois filhos e a esposa. Também ficava surpreso pelo seu irmão morto não
ter tido uma mulher.
- Ele era muito mulherengo e...
Na hora em que terminava a frase, Ryan Sawn abriu a porta.
Daniel se ergueu e o cumprimentou sem levantar suspeitas. Carl olhou
atentamente para Daniel que estendeu a mão para cumprimentar Sawn. Ryan deixou
alguns esboços das propagandas da nova campanha de eleição de James Sang, amigo
de Carl e vereador que contratara os serviços de Digham há alguns meses. Daniel
ficou mais alguns minutos e foi embora. Tudo havia se enrolado. Carl conhecia
Sawn e Mel conhecia Mercer.
Daniel foi até o Bank of State, na agência de Central
Districk, onde conhecia Dick Malbrank, o gerente financeiro. Quando abriu uma
parte do caso, Malbrank disse que sobre Mercer e Sawn não haviam muitas
transações, mas a conta de Jill Hawking era muito elevada para a vida humilde
que a garota levava. Um extrato dado para Daniel revelou grande quantia de dinheiro
recebida na última semana. Se um dos irmãos estivesse contratando Jill para dar
um sumiço em Digham poderia ter dado certo.
O dia foi finalizado com uma passada no Departamento de
Polícia. Logan Springwood abriu as portas do seu escritório para uma conversa
com Dito. Era o único que tinha informações de tudo que acontecia dentro do
departamento.
- Encontramos a arma do crime no escritório de Digham. -
salientou Logan. - Mas a arma é fria. Um revólver sem identificação. A
balística informou que a pessoa não sabia usar uma arma muito bem, mas se
preveniu em colocar uma luva de borracha.
- Como chegaram a esta conclusão?
- Encontraram fragmentos poli-isopreno na coronha da arma. A
substância é encontrada em qualquer material de borracha. E a orientação da bala
na cabeça de Digham estava muito mal colocada. A pessoa sabia mirar e apertar o
gatilho, mas certamente deixou a arma cair no primeiro tiro.
Mais dois dias se decorreram sem mais pistas. Daniel estava
perdendo as esperanças e Edmund não conseguia mais conter a curiosidade da
mídia até que Herman ligou e deu a pista-chave. A arma tivera sido negociada
perto das docas de Greencliff poucos dias antes do crime. Daniel foi até as
docas e tirou a verdade de Kyle Dawnson. Ao final da tarde, Daniel se reuniu
com Logan, Edmund e o detetive encarregado do caso, David Lewis, na cena do
crime.
Todos se reuniram no escritório de Digham e Daniel se pôs a
revelar a verdade.
"Foi um crime entre irmãos. Mel e Carl Welm sabiam que
mais cedo ou mais tarde ficariam com a herança do irmão Mark. A morte foi um
acidente como fora provado pela polícia. Entretanto, havia muito mais em jogo.
Mel Welm se encontrou três vezes com o Capitão Samuel Mercer para tentar
convencê-lo a se aproximar de William Digham e arrancar o nome da pessoa que
estava no testamento do irmão. Do outro lado, Carl Welm encontrou-se com Ryan
Sawn, assessor público que trabalhava na câmara junto com Mark e Digham. Ryan
interceptou inúmeras ligações para Ohio onde uma mulher falava com Mark tempos
atrás, enquanto Mercer deixou escapar que Mark tinha uma filha. A mulher com
quem Mark falava era Robin Hawking e mãe de Jill Hawking, que nada mais era que
filha de Mark, a herdeira do político. Os altos depósitos da conta de Jill eram
dadas pelo pai, mas a garota não usufruía de todo aquele dinheiro. Digham a
manteve próxima para que estivesse sempre de olho, protegendo-a. No dia antes
do jantar, Mercer e Mel não se encontraram, mas Ryan Sawn foi até as docas de
Greencliff comprar uma arma. Sabia que o local incriminaria o Capitão das
marinas. Carl dera-lhe um dinheiro frio para adquirir uma arma. Na noite do
jantar, Digham ficara até mais tarde com Sawn, discutindo as propostas do novo
cliente, James Sang, quando Digham abriu o cofre para pegar as pastas com os
documentos de Sang e Sawn atirou na cabeça do advogado. Sawn já usava luvas de
lã revestidas de borracha por fora, sacou a arma e deixou-a cair depois do
tiro. Ele pegou o testamento e outros papéis para não levantar suspeita e foi
embora. Depois, levou o testamento para Carl Welm. Aposto que dentro do cofre
de Carl está o testamento do irmão que prova que Jill Hawking herdaria o
dinheiro do pai".
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