Daniel
Herrera passeava pela Praça George Washington, em Central Districk, buscando a
sua próxima cliente. O parque mostrava-se enorme desde a sua expansão em 1995.
O nome se manteve o mesmo, mas os ambientes se modificaram. Sua cliente era
Hillary Parker, conhecida por estar sempre bem vestida com o noivo, Adam
McFeller, nas páginas sociais do jornal The Rail e na revista Maine Happens.
Adam McFeller era o secretário do tesouro do estado de Maine e o casamento
aconteceria em breve. O dia 30 de Junho estava inspirador para o passeio ao ar
livre: sol a pino, verão, gramado verde e temperatura nos 27⁰C. Hillary Parker
era de uma beleza incrível: Olhos azuis, rosto pálido e boca desenhada em batom
vermelho. O cabelos em um tom de loiro prateado contrastavam com o vestido
discreto preto e um chapéu arredondado que cobria sua face. Ela o esperava
próximo aos pinhos do lago oeste do parque. Daniel se apresentou rapidamente
depois do telefonema que recebera no início da manhã, feito por ela mesma:
- Como
descobriu meus serviços?
- Um amigo
meu deu a referência. Foi seu colega de trabalho há muito tempo.
Daniel já
sabia de quem se tratava. No momento, não importava aquilo. A mulher contou a
história e a necessidade dos serviços imediatos do detetive.
"Como se
sabia, Hillary é noiva de Adam McFeller, um forte político do estado de Maine
há mais de dois anos. Entretanto, dois meses atrás, a mulher reencontrou um
antigo colega de faculdade que tivera um relacionamento pequeno, saíram para
jantar e acabou se envolvendo além do previsto naquela noite. O homem era
Willard Green, advogado de causas cíveis da cidade de Rail Port. Green possui
uma vida de bons dotes: carros importados, casarão nos bairros nobres e causas
que lhe rendem boa receita a cada mês. Nos dois meses que se passaram, o
noivado estava para se acabar e Hillary mantinha um contato apaixonado com
Willard. Os e-mails amorosos e as conversas via Facebook eram fortemente
íntimos. Entretanto, certo dia Hillary 'caiu na real' e se acertou com Adam,
jurando-lhe amor, mas mantendo aquele segredo. Só que o segredo havia caído em
mãos erradas. A moça recebeu um malware por e-mail revelando que existia uma
pessoa com todas as conversas por Facebook e querendo a quantia de US$
500.000,00 ou então a informação pararia nas mãos de McFeller. O ponto de
encontro seria no dia 1º de Julho, na bilheteria do Immigrant Stadium, às 21h.
Hillary deu detalhes dos costumes que tinha Willard no tempo em que passaram
juntos: foram algumas vezes no Teatro Sunrise e no Cassino do Palace Gray
Hotel. As principais pessoas que viram Hillary Parker com Willard Green foi o
caseiro de Willard, Mike Caparzo, a ex-namorada do rapaz, Megan Tyler, e o
detetive-chefe do cassino, Laurence Cleveland."
Com as
revelações feitas pela moça, Daniel tinha menos de 30 horas para achar o
culpado e onde estava as conversas. O detetive começaria pela finalidade: quem
poderia ter acesso à bilheteria do Immigrant Stadium às 21h? O estádio ficava
próximo ao parque e com um pedido persuasivo no valor de cem dólares, conseguiu
a lista dos funcionários. Não encontrou ninguém na área da bilheteria, mas
muitos descendentes de italianos trabalhando na faxina e na segurança do
estádio. Mike Caparzo se tornou o suspeito número um. A informação lhe deram
mais tempo para investigar os outros prováveis suspeitos e já descartá-los.
Então, foi atrás de Megan Tyler, na corte de Rail Port. Tentou conversar com a advogada,
mas não obteve sucesso. Ficou durante cinquenta minutos jogando papo foram com
a secretária da mulher:
- Ela não
gosta muito de falar de seus antigos relacionamentos. - revelava a secretária
já envolvida pela doce lábia de Dito. - Willard e ela brigaram feio quando se
separaram. Isso foi o que ouvi. Willard Green é um pedaço de lixo. A minha
chefe ficou enraivecida durante semanas.
- Sabe onde
poderei encontrar ela hoje à noite?
- Bom, ela
gosta de ir jogar no Cassino do Palace Gray volta e meia. Se não encontrá-la
hoje, amanhã tem jogo dos Palladines no Immigrant Stadium. Ela é uma grande fã
do quarterback.
Dito caíram
em sua própria falta de informação. O Rail Port Palladines jogaria no dia
seguinte em um amistoso de volta de férias com o Bangor Stautons, time da
terceira divisão da NFL. Se Hillary disseram que jogavam no Cassino, Megan
certamente viu os dois juntos em alguma noite. Daniel ligou para Hillary para
buscar uma informação muito preciosa.
- Srta.
Parker, aconteceu algum desentendimento entre você e Megan Tyler durante o
tempo em que estava com o Sr. Green?
- Estávamos
no grupe de 21 no dia 14 de Abril, quando ela chegou e me atacou. Disse que
Willard era dela. Will separou a briga, mas o detetive do cassino intercedeu.
Falou que teria que nos levaria até a sala da segurança para prestar alguma
queixa contra a mulher e fomos. Willard conversou com o Sr. Cleveland.
- Notou algo
de anormal?
- Não.
Megan estava
fora de si. Agora Dito teria que correr contra o tempo, vestir seu terno e ir
para o Cassino.
Passava das
oito da noite quando entrara no Grand Cassino do luxuoso Palace Gray Hotel. Pegou
o dinheiro guardado do último caso que havia resolvido e comprou algumas
fichas. Andou de um lado para o outro tentando achar Megan Tyler, mas não
adiantava. A mulher que era sua potencial suspeita estava sumida. Suas voltas
foram tantas e sem destino que Laurence Cleveland, o detetive-chefe do cassino
apareceu para averiguar a situação:
- Senhor?
Notei uma ligeira preocupação e achei muito suspeito da sua parte estar
rondando as roletas e as mesas de 21. Algum problema?
- Nenhum. -
Daniel ficou frio. - Estou com um encontro marcado com uma moça, mas parece que
ela não vai aparecer.
- Não é uma
boa ideia manter suas fichas em mãos e ficar esse tempo todo em pé. Não
gostaria de guardá-las nos nossos cofres de espera?
Cofre de
espera? Que droga é essa! Os cofres de espera eram utilizados para guardar
fichas do cassino e retiradas apenas a partir de uma senha de quatro dígitos. O
cliente poderia apenas portar fichas e era seguido por um segurança que
averiguaria se somente aquele tipo de objeto estaria lá. O cliente poderia
guardá-las por algumas horas ou por dias, desde que informasse. Eram 112 cofres.
- O senhor
tem um cofre?
- Claro que
sim! - sorriu Laurence. - Assim como os apostadores mais assíduos.
Ao passar
pela recepção, avistou um improvável personagem: Caparzo. Ele discutia com um
segurança sobre a sua entrada no cassino. Disse que tinha um "esquema"
para pegar com um amigo. Mas o guarda insistiu que não poderia cruzar a linha,
pois estava na lista negra do cassino por dividendos.
As fichas
ficaram no cofre, mas a noite não seria de descanso para o Detetive Herrera.
Por mais que pudesse ser Laurence, o homem não apresentava nenhum tipo de
parentesco ou ligação com Hillary ou Willard. Caparzo parecia estar ligado com
Willard e o Cassino, assim como Megan, a principal suspeita. Mas quem teria
acesso ao Facebook de um dos dois? Talvez Megan. Na época que eram namorados,
Megan e Willard poderiam ter divididos suas senhas e nunca trocadas depois do
rompimento. A mulher parecia estar na ponta da faca de Daniel. Mas não haviam
certezas. Era hora de acordar Logan Springwood, no Departamento de Polícia.
Logan estava
ativo aquela noite. Houve uma batida policial em uma casa com drogas. Ficar
mais algum tempo acordado não lhe faria mal. Pediu os nomes e Dito o dera.
- Caparzo é
limpo, sem antecedentes. Megan Tyler é mais limpa que a mármore do fórum, mas
tem alguns antecedentes de transtorno bipolar, pelo que ouvi...
- Eu sabia! -
Daniel comemorava o achado. Mas...
- E
Cleveland, esse é mais sujo que o banheiro do parque! - sorriu Logan. - Ele tem
um antecedente bem grande com jogatina. Fez a maior limpa em jogos de 21 em
Atlantic City, foi condenado, mas o Grand Cassino o contratou para ficar de
olho em tipos como o dele. Mesmo assim, continua jogando nos cassinos da zona
oeste da ilha. Deve em torno dos seis dígitos para o Florida Bay, pelo que
ouvi. Se você está procurando por alguém sujo nas fichas da polícia, esse é o
cara.
Daniel
murchou. Agora, era um tiro para cada lado. Megan continuava como sua principal
suspeita, mas Caparzo era ligado ao estádio e Cleveland era ligado com a
polícia. Ele ainda pegou o endereço da casa de Megan antes de sair da
delegacia. Foi para o bairro de North Ground, onde a advogada morava e montou
tocaia. Colocando salgadinhos e café para dentro do estômago, Daniel esperou
até a manhã nascer. Os olhos do detetive estavam em cerrados quando a porta se
abriu, assim como sua visão. Um homem grande e forte despedia-se de Megan. Seu
nome: Laurence Cleveland. Ajeitava a gravata e andou pela rua até encontrar o
carro estacionado. Alguma coisa revelou que Cleveland era o maior suspeito.
Precisava de provas e teria que ser do jeito mais inconveniente.
Arrumou sua
roupa de valet e seguiu para o Palace Gray Hotel às dez horas da manhã -
faltavam onze horas -. Desceu para o estacionamento e abriu o carro de
Laurence. Achou lá a chave do escritório de monitorias do cassino. Retirou sua
roupa, guardando-a no seu carro e subiu até o andar do local, usando seu terno.
Avistou Laurence se deliciando com o café-da-manhã no bar do hotel. "Ele
comeria rápido e faria buscaria a chave o mais depressa possível", pensou
Dito. O detetive atravessou o cassino e chegou aos fundos, subiu uma escadaria
e chegou a sala de monitoramento, abriu-a e viu três seguranças de olho nos
monitores. Tudo acabou em questão de instantes: a prerrogativa de que Dito
estava na sala errada, o ataque dos seguranças e os três desmaiados no chão.
Daniel precisava encontrar a pista-chave: a imagem de segurança do dia 14 de
Abril. O servidor era lento. Demorou para que Daniel achasse as filmagens de
Abril e transferisse o arquivo para o seu pen drive.
O detetive
passou por Cleveland sem ser visto nos corredores do cassino e retirou suas
fichas junto ao segurança de plantão. Quando voltou ao carro, abriu o notebook
e viu as câmeras. Finalmente, tivera a certeza e a solução. Agora, era preparar
a vítima para o encontro.
21h. O
Immigrant Stadium fervia de pessoas a entrar para a partida. Hillary seguiu
para as bilheterias vestindo uma roupa casual: jeans azul e camiseta dos
Palladines - amarelo com preto -. Com ela estava uma maleta com dinheiro. O
preço a pagar pelo silêncio. Um segurança reportou a ela que entrasse, dizendo
que "o treinador a esperava". O encontro ficou na sala de troféus,
vazia.
O grande e
forte Laurence Cleveland surgiu pedindo o dinheiro, mas Hillary insistiu em ver
as conversas gravadas. O homem pôs a mão no bolso, mas... sumiu!
- Quer isto
aqui? - surgiu Daniel e Logan atrás de um reservado. Dito segurava um pen drive
em forma de ficha de pôquer.
- Fique onde
está, Cleveland. Vai passar um bom tempo na cadeia! - Logan não hesitou em
apontar e ficar com os olhos fixos. Hillary se protegeu junto a Daniel.
- Como
descobriu?!
" Não
foi fácil! No início, tinha certeza que Megan Tyler era a chantageadora. Ela
tinha uma grande raiva de Willard Green e por isso tentou agredir Hillary
Parker quando a encontrou junto do ex-namorado na Grand Cassino. O que eu não
esperava era saber que Laurence Cleveland estava namorando Megan, e pior,
tentou chantagear a mulher que o rapaz estava junto. Um crime muito em terceira
pessoa. Quando vi sua ficha, não acreditei, mas os números do débito do Florida
Bay foram bem específicos: 6 dígitos. A quantia que o chantageador queria. A
prova veio com a câmera de vigilância quando Cleveland leva Willard para
reportar a reclamação e rouba o celular. Um ato bem de jogador de cartas.
Depois de ver as conversas, passa para um pen drive em forma de ficha e coloca
dentro dos cofres. Ninguém suspeitaria, a não ser eu! Quando me levou aos
cofres, memorizei sua senha, e quando voltei lá esta manhã abri o seu cofre que
guarda uma única ficha. Sabia, então, que você era o culpado. Disse que era o
cofre errado e fui esvaziar o meu."
- Enquanto
esperava aqui, você colocou seu casaco junto ao troféu de cima. Peguei o pen
drive. Assim como você, foi um ato de jogador de cartas! - acabou Daniel.